segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ela e Ele

ela é o esplendor que
pensa que ninguém a ama

ela deixa-se comer,
querem-lhe por na cama

ela não tem noção mas,
ele ama-a de verdade

ela fantasia-se no vazio,
ele desespera na realidade

ela é consumida por todos,
ele apenas a quer conservar

ela chora de angústia,
ele lá terá que a consolar

ela agradece-lhe o feito,
ele implora pela sua mudança

ela diz que não pode,
ele começa a perder a esperança

ela embebeda-se de promessas,
ele leva com a ressaca

ela ilude-se com as aparências,
ele sabe que a carne é fraca

ela não tem auto-estima,
ele estima-a demais

ela é um rosa escarlate,
ele sabe que tem espinhos a mais

ela não é flor para jardim,
ele tem um jardim sem flores

ela pensa a preto e branco,
ele tem o coração a cores

ela procura o seu conforto,
ele cansou-se destas fachadas

ela já não tem retorno possível,
ele acordou deste conto de fadas

ela caiu no poço de novo,
ele sente-a a afundar

ela grita pela sua mão,
mas já não está lá ninguém para a ajudar.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

ingrato, canalha, vil, maléfico, mau, animal e amargo.

Não sou dono de nada,
nem nunca o tive na vida.
Não tenho o que não quero,
mas não possuo o que pedi.
Não gosto de o ter,
mas tenho o que sempre perdi.
Não fiz pelo que tenho,
nem entendo o que sempre vi.
Não morri pelo que tenho,
mas mataram-me pelo que vivi.


Sou ingrato, sou canalha,
sou o pior de todos os cabrões.
Sou vil, sou malévolo,
sou o negativo das emoções.
Sou mau, sou incompreensível,
sou o que nunca quiseram que fosse.
Sou o animal, sou podre,
sou o amargo no vosso mundo doce.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

toda a gente mas ninguém

toda a gente te olha, mas ninguém te vê
toda a gente te ouve, mas ninguém te escuta
toda a gente te agarra, mas ninguém te quer

toda a gente te descodifica, mas ninguém te lê
toda a gente te lisonjeia, mas ninguém te disputa
toda a gente te junta, mas ninguém te insere

toda a gente te deseja, mas ninguém te atura
toda a gente te alegra, mas ninguém te ama
toda a gente te toca, mas ninguém te sente

toda a gente te adoece, mas ninguém te cura
toda a gente te planeia, mas ninguém te trama
toda a gente te detesta, mas ninguém te mente

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cemitério da Paixão

já vivi vida e vivi-a por viver
já amei dita aquela que me queria só por ter

já me achei galante e apenas assim o achei
já me considerei rei de alguém que outrora destronei

já perdi amor porque encontrei tanta maldade
já fui aprendiz de ti, mas deixei a lição a metade

já me quis tornar vítima da tua sentença que só eu li
já me tornaram réu de um crime que nem eu mesmo cometi

já desapareci por entre as sombras, por querer ainda mais
já me afastei de ti, por não querer ver-nos como jovens pais

já me esqueci do que és mas não do que para mim foste
já me arrependi dos anos mas não do nosso mês de Agosto

já consegui maravilhar-te prometendo uma nova criação
já te fiz desiludir fazendo de tudo uma mera ilusão

já morri dentro de ti, agora so aí tens o meu caixão
já me ceifaste a vida, agora vivo no teu cemitério da paixão

domingo, 29 de março de 2009

Relatos de um sobrevivente de mim mesmo - o amor

não me deixas enfrentar a tragédia,
faz-me pensar dela a minha comédia
acolhes-me quando não o mereço
és um amor sem qualquer preço

és tão valiosa e eu custo tão pouco
és a sanidade pura neste mundo louco
das-me tudo e tudo mais de que preciso
fechas em mim o que eu sempre inciso

faço-te mal não merecendo o teu bem
sabes bem que sem ti não sou ninguém
agarro-me a ti, para não bater no fundo
quero-te rainha de mim, do meu mundo

inspiras-me, mas não o consigo nunca admitir
se o meu coração por ti não bater, está a mentir
és tão suave que a minha pele mal te sente
és a minha morte, o meu beijo da serpente.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Relatos de um sobrevivente de mim mesmo - O obscuro

Anda e vem-te a mim,
o que te inquieta?
É a minha presença?
Ou a minha língua afiada e recta?

Junta-te, ao meu aconchego
e sente-me espetar-te
Não mudes por mim,
quero tanto esvair-te

Respira-me e obtens-me,
mas antes aprende a me ter
Mantém-te firme,
estou prestes a meter

Grita, assim eu quero,
a tua dor, o teu sangue a fervilhar

Pela tua agonia eu desespero,
como o gosto pelo jeito de te chacinar


( no limiar da tua dor, eu me ergo e findo a tua agonia )




Porque corres tanto se esta sala tem as tuas paredes?
Porque foges de mim se o mundo é todo teu?
Porque te aqueces do calor que já não é o meu?
Porque me trancas em ti se já matei as tuas sedes?

Respondes-te às perguntas que outrora tinham questionado as decisões da tua vida.

o teu sangue é somente meu!!!

sábado, 7 de março de 2009

A névoa esconde o teu rosto, mas não os teus pecados.

Corrompe o que por ti tenho, e deixarei de te sentir
desmembra o nosso manequim lustrado de afeições
enquanto luto contra todas as minhas contradições,
e não será outrem que as nossas regras te vai incutir

estamos tão incumbidos e presos neste casulo implacável
sou o ramo desta árvore, tu és a seiva, és o meu sangrar
mas sou forte, sou irresistível, sou o teu pecado, sou inabalável
és a sensação intrépida que nas minhas veias continua a laminar

traz-me as tuas tropas, dou-te as boas vindas ao armageddon
imponho-me a ti desta feita, sou o teu rei e estou a convalescer
jogas em casa, mas eu tenho a planta do teu jardim de Éden
perante mim é fulminante o teu latejar , adoro entorpece-lo



eu já te possuía muito antes de tu te possuíres...